Tenho que admitir que você corre um grande risco.
Tentei por diversas vezes não aceitar essa possibilidade e sempre ver o lado bom da coisa toda, mas isso no final das contas sempre se torna impossível.
Sinto que você é como uma massa de bolo com dois braços e duas pernas, e quem não conseguir pegar seu tempo, se perde, e estraga tudo. Nunca fui muito bom em acertar na veia, é fato.
Perdi-me, desandei por aí entre você e a pessoa que eu gostaria que você fosse.
Pintei-te de cores legais, te misturei com a minha ilusão e pronto, estava criada a minha obra mais sinistra de amor.
Eu me empenhei tanto e te manter assim, mas era mais minha ilusão do que realidade, mais fantasia do que verdade, mas nunca que eu conseguiria.
No fundo a gente sabe que não vai rolar tenta por hábito.
Não consigo mais me lembrar onde foi que eu perdi a coragem, ou melhor, troquei ela na auto piedade. Engraçado que eu só sou assim com você, normalmente eu massacro primeiro e pergunto depois. Com você eu sou massacrado e peço desculpas, estranho demais até para mim.
Estranho também que eu não consiga ser direto, gostaria muito de agir com o sangue que corre em minhas veias, falar a real, mas no fundo eu sei que você continuaria caminhando e contando no relógio o tempo até eu correr me desculpar com você, eu sempre cedo.
Sempre me desculpo pela sua falta de consciência em suas ações, por essa sua rebeldia que nem você entende, e insiste em querer me ensinar por aí.
Você é pretensiosa, muitas vezes evitei cogitar a possibilidade de você ser maligna, mas os fatos apontam o contrário.
Existe um prazer em você em machucar, e não, não é inconsciente, você sabe do que é capaz e como é capaz de fazer as coisas que quer bem feito ainda por cima.
Nesse tempo foram caindo por terra, tudo que eu fui construindo e defendendo, a garras e mordidas de quem se aproximasse de mim para dizer de você o que eu não queria ouvir, mas não sei se por acaso, eu sempre soube.
Não gosto de admitir, mas você realmente corre um grande risco.
A partir desse momento, mais uma vez vou me limitar a acabar com as sobras do passado, você já não me adiciona nada, tudo o que você me trás é mágoa.
Não quero te culpar por isso então vou facilitar para nós dois, para nós agora, só o que interessa a cada um.
Vou-me embora no final da tarde, com o vento contra mim, com um pouco de esperança de que você mude, de verdade porque assim eu não me magoarei mais, e assim quem sabe você não magoe mais ninguém.
Hoje não vou me desculpar, você está escolhendo o que se dane como opção, eu só lamento.
Hoje eu tenho paz na solidão, não preciso que você estrague tudo com suas mentiras, seu mundinho podre, sua realeza.
Ficar longe de você de verdade, é o que me interessa agora.
E não como das outras vezes em que eu me engajo dizendo que seria assim.
Hoje vou alcançar a promessa que fiz a mim mesmo.
Seja feliz, bem longe de mim.
Segunda-feira, Abril 19, 2010
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