Terça-feira, Fevereiro 08, 2011
Talvez seja assim mesmo, algo que não se limite a natureza de ser ou não ser, mas que venha especialmente pré- determinado a terminar desse jeito.A mistura entre sons estranhos, dito por vozes estrangeiras com cabelos de fogo e olhos de mar. É a fúria do gigante, o desejo que nasce todos os dias em corações por aí afora, corações que ninguém imagine que existe, mas que entra em combustão como o sol numa de suas explosões diárias. Vem numa onda, e me arrebata pelas pernas, como a premonição de algo ruim está por acontecer e é tristemente inevitável, é a concepção da possibilidade, quando a mesma deixa de ser hipótese, cria corpo, mãos e braços que me seguram com o peso da vida, e me esmagam até tirar de mim todo o pouco que ainda restava vem e bate, bate com raiva, bate com maldade, bate para me ver sangrar. E o que sobra dessa surra cotidiana, é o que está gravado em mim em ferro e fogo, é a mão atada, é a corda que aperta minha garganta, é sol que me cega, é o carro que não freia, é a vida tragada em cada segundo, são as palavras que não consigo entender, são os desejos dos meninos com fome, é a constante pergunta; para onde? E é sempre a mesma resposta, fria nua e crua, como uma criação diabólica que me arrepia até o ultimo pelo do meu corpo, tudo isso misturado ao desejo de que a vida não me intercepte, que passe longe do meu corpo, que meus olhos se apaguem, e que assim eu me desapegue de todas as minhas impossibilidades e defeitos, para que assim eu finalmente quem sabe acorde para um dia, apenas um dia onde eu não me sentirei vazio.
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