Era uma matinê nojenta, mas ao mesmo tempo havia o glamour das mascaras e dos longos e exorbitantes vestidos rodando ao ritmo das marchas dos bailes passados.
Entrei levemente alcoolizado no salão, alcoolizado não, mais elegante do que o normal, e fui desfilando pela pista de dança entre os casais aos beijos, entre as conversas altas, os flertes e meu copo de gin.
Encontrei uma posição confortável no bar e por ali fiquei, a saborear a vista por trás da minha mascara do zorro, que, diga-se de passagem, era deveras confortável. Acendi um cigarro e fiquei.
E finalmente minutos depois de eu ter me posicionado taticamente no bar vi você, em seu longo vestido vinho, seu cabelo vermelho todo emperequetado com aquele aspecto de úmido e sua mascara de lantejoulas douradas. E você voava entre os outros mortais, sorrindo para Deus e o mundo, e a cada sorriso e flerte que você concedia para os machos de plantão, cada leve esbarrão que você vinha dando pelo salão, eu ia te perdoando, pelo seu cabelo vermelho, e pela cara de vagabunda que você sabia fazer como ninguém.
Oi príncipe, você por aqui? Quanta pretensão.
Olá, sim resolvi conferir essa farra.
Não combina com você príncipe, sujo demais para você esse lugar.
E pra você, não é sujo?
Você sabe príncipe, eu sempre fui chegada em uma sujeira (risos pretensiosos)
Sei sim, no fundo sempre soube, só preferia ignorar, melhor assim.
Ignorar um fato não faz com que ele não exista. Ignorei por muito tempo você e aqui está você, com essa máscara de zorro, totalmente deslocado e inocente, irônico não?
Ironia sempre definiu minha vida Isa.
Sua vida sempre foi definida por tudo e por todos príncipe, você sempre foi mole.
E você sempre foi uma vadia.
E nós sempre nos encontramos.
E sempre dizemos tchau.
Você tem razão príncipe, vou arrasar alguns corações, cuide-se e pare de tomar esse lixo de gin.
Você também Isa, pergunte pelo menos o nome do cidadão antes de levá-lo pra sua casa.
E ela de costas, levantou os dedos dentro da luva de pelica vermelha, me dando um tchau com apenas três dedos da mão.
Eu? Terminei o cigarro o gin e fui para casa, afinal eu odeio carnaval.
Sexta-feira, Março 11, 2011
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